domingo, 17 de janeiro de 2010

I see you.



Se eu pudesse, me transportaria para aquele lugar para sempre. Odeio ter que depender dos meus sonhos para estar lá.
Lá onde águas-vivas voadoras são espíritos puros, os mosquitos lembram reluzentes vaga-lumes e uma espécie de inseto se assemelha aos malabares de um artista circense.
No reino dos meus sonhos, cachoeiras flutuam e suas águas formam nuvens e as árvores iluminam, de forma esplêndida, o breu da noite. Pássaros gigantes e cavalos distorcidos são nossos meios de transporte nessa imensidão verde.
Sorrio para ele e ele retribui. Estamos prontos para a batalha

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sempre na estrada, sempre distante

Olá querida,
Desculpe por sumir assim. Sei que sente minha falta e vejo isso em cada suspiro que você dá quando atende ao telefone pensando ser eu e em cada vez que acorda de madrugada para se livrar dos sonhos que te atormentam porque estou ali. Desculpe se o vento sopra meu nome em seus ouvidos e se as músicas que escuta te fazem lembrar tempos atrás.
Cometi milhares de erros nessa vida, mas o maior deles foi te deixar. Não falo só do sofrimento que isso te causa, pois meu coração também está cheio de feridas.
Confesso que milhares de vezes eu errei, mas nunca pensei que fosse te deixar seguir sozinha por essa estrada ou que fosse te deixar se debater no mar para que assim aprendesse a nadar sozinha. Sempre me vi como seu herói, aquele que iria te salvar e seguir contigo para enfrentar dragões e moinhos de vento nesse mundo. Mas em algum momento me vi tendo que te deixar. Vi-me pensando mais em trabalho do que na vida e viajando por aí sem sua companhia.
Sinto tanto por todas as vezes que tenho que partir, porém sigo cometendo o mesmo erro. Desde a morte de meu pai vivo e respiro pela empresa - prometi a ele. Por isso, em algum momento da vida, optei por não viver ao seu lado.
Hoje, aceito todas as vezes em que você me chamou de burro - e depois chorou no sofá. Talvez eu seja mesmo burro, afinal, errar é humano, mas insistir no erro é burrice. Apesar de tudo, de todo arrependimento sigo errando e insistindo pela memória de meu pai.
Amor, eu sinto a sua falta e desejo você ao meu lado, mas não quero mais te ver sofrer. Não mais do que você já sofre quando estamos separados. Você é um espírito livre que merece estar com quem seja aquele herói que não consegui ser.
Desculpe-me por todas as lágrimas que caem de seus doces olhos antes de dormir e fique tranquila, você não tem que pedir perdão a Deus, porque nunca errou comigo. Amo cada curva de seu corpo, cada linha do seu pensamento, cada qualidade e defeito desse ser. Só te peço que siga em frente porque sou errado, sou errante e vou errando enquanto o tempo me deixar, já que minha compulsiva mente não me deixa mais.

domingo, 10 de janeiro de 2010

So shut up and dance with me

_ Ele sumiu a semana toda. A semana, não. Tem um mês que não nos falamos, na verdade. Não me ligou como prometeu. Não apareceu nem nada do tipo. Como vou acreditar no que disse se quando tem a oportunidade de fazer as coisas se tornarem reais, ele dá pra trás desse jeito?
_ Por que você não liga pra ele? – perguntou a amiga
_ Porque ele tem meu número. Eu não tenho o dele. E mesmo que tivesse, acho que não ligaria. É ele quem tem que fazer isso. Não é um caso de ataque de machismo, é só que, ele quem disse coisas fofas. Estava esperando ouvir isso de verdade agora...



Era início noite e a festa já estava bombando, afinal era uma das formaturas mais disputadas. Por isso a surpresa de vê-la ali. Quer dizer, a cidade inteira deveria estar naquela festa, e era exatamente por isso que se assustou: no meio de tanta gente foi encontrar com ela. Seria ela mesma? Por que duvidava? Era tão óbvio que era. Não sabia se chegava perto, se ignorava, se puxava assunto ou fingia que não viu. Optou por se apresentar.
_ Oi. Sou eu. Não acredito que fui esbarrar com você no meio de tanta gente!
_ Nem eu, principalmente porque você sumiu durante todo o mês. Quando foi a última vez que nos falamos? Ano passado?
Ele realmente ficou sem graça. Não esperava essa reação. Seria a mais óbvia, mas ela nunca fora óbvia.
Ela sabia que não era uma reação muito dela, mas estava cansada de reprimir seus sentimentos. Então, esqueceu disso por um momento. Na verdade, essa era uma reação extremamente dela, porque ela nunca fora tão ela.
_ Olha, de verdade, me desculpa. Entende que eu nunca tive coragem de te ligar, que diversas vezes menti, fingindo ser outra pessoa, então, seria de se esperar que eu não fosse honesto dessa vez.
_ Não, não seria. Era nossa única oportunidade depois de tanto tempo. Julguei ser chance de você ser honesto. Mas parece que você gosta de jogar.
_ Não é jogo, é covardia mesmo.
_ É, eu sei. Você é tão orgulhoso e covarde quanto eu. Sempre procurei por coisas em comum e agora que as descobri, não sei se era por isso que esperava.

O que ela falava? Estragava a chance de tornar aquele momento mágico.
_ Isso muda o que você sente?
_ ... - pensou por um momento
_ Na verdade, não. Esperei tanto por esse dia. Imaginei diversas situações, mas nunca pensei que seria desse jeito. E agora sinto que estamos estragando tudo mais uma vez
_ Orgulhosos, covardes e capazes de estragar as chances de sermos felizes... Acho que somos bem mais parecidos do que pensávamos
_ Pelo menos ainda somos capazes de nos redimir. Então, por que você não cala a boca e dança comigo? 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Becoming who we are

Talvez as coisas fujam de nosso alcance por algum motivo. Talvez para você correr atrás delas e valorizá-las. Vai saber...
Mas e quando suas opiniões fogem de você mesma? Oras, eram minhas opiniões, minha propriedade, minha mente criando conceitos por aí. Como se foram assim?
Lembro do tempo que entendia de tudo que se passava dentro de mim. Conhecia-me como ninguém, me auto-explicava, conversa comigo mesma como forma de mostrar tal entrosamento.
E hoje? Quem sou? Quem sou eu sem pensamentos? Quem sou eu sem você?
Tentar entender o que não mais entendo é tão complexo pra mim. Há muito tempo não me imaginava assim: tão insegura e sem proteção. Sinto-me exposta sem minha casca protetora. Sinto-me vazia sem saber o que sinto, o que penso e o que sou hoje.
Nunca pensei que o tempo passaria desse jeito para nós. Nunca me imaginei duvidando dos meus sentimentos. Nunca me vi sendo essa pessoa que sou no momento, nem nunca esperei por isso.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tente me olhar e provar que meu mundo acabou

Na cidade barulhenta, no campo mecanizado e no mundo globalizado, a palavra quietude virou sinônimo de doença séria, seja ela recebida com "Estou com depressão" ou com "Virei emo". Ninguém mais é classificado como tranquilo, quieto; agora as pessoas são depressivas, estranhas. Viver em um mundo particular e impenetrável é incômodo ao seu vizinho que nada tem a ver com seu mundo. Estar sozinho é sinal de incompetência, como se você não pudesse mais optar pelo estar desacompanhado. Nunca me disseram que felicidade fosse sinônimo de estar com alguém. De fato procuro pro alguém. É fato também que quando estou triste busco os amigos para abandonar a solidão. Mas gostaria de manter vivo o meu livre arbítrio e ter a certeza de que não perturbo ninguém com a minha tranquilidade que surge muitas vezes sem motivo. Preferia não ter que mentir e dizer que é apenas cansaço, porque quase nunca é. Quero pegar uma cadeira, sentar no canto da sala daquele meu jeito desengonçado e manter-me concentrada no que - no momento - me parece conveniente em se dar atenção. Quero fechar as janelas pro sol - sem que isso pareça um ato rebelde -, sentar na cama, fechar os olhos, sentir o silêncio me envolver e meditar. Nunca me esqueço quando viraram para mim e disseram "Tudo bem... no seu mundo?". E estava. Não estava perfeito, mas me agradava estar naquele instante vivendo em meu mundo. É disso que preciso: de compressão, de segundos de reflexão e entender meu coração.
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it