Enquanto o chão tremia no Haiti, eu saía do cinema após 5 minutos de Avatar 3D, porque a luz tinha acabado. Corri com meus amigos para chegar em casa a tempo de ver o primeiro dia de BBB. Só fui saber da seriedade do terremoto no dia seguinte. Descobri pais de amigos meus e conhecidos dos meus pais no meio da confusão e foi então que passei a levar aquilo a sério.
É estranho como só reparamos no problema quando ele se aproxima de nós; somos críticos quanto aquele fato até que ele surge ao nosso lado e aí, todos nossos conceitos se vão pelos ares. Lembro da reportagem de uma mãe que, mesmo não sabendo nadar, salvou o filho que se afogava em um rio com forte correnteza.
Essa nossa capacidade de enfrentar até nossos piores medos, nos arriscar e pôr os temores à prova me impressiona. Enfrentamos tudo pelo amor ao próximo, pelo medo de perder um alguém.
Nos jogamos em águas mesmo sem saber nadar, pegamos aviões parar se estar perto mesmo com medo de altura, criamos uma fé antes inexistente.
Outra característica que me deixa abobalhada é a capacidade humana de se reinventar; como uma fênix, ressurgir das cinzas. O que São Paulo com suas constantes chuvas de janeiro, o Nordeste com suas secas eternas, Peru e Haiti com terremotos e Rio de Janeiro com deslizamentos de terra tem em comum? A capacidade de recomeçar. Iniciar uma nova vida com pouquíssima coisa; sem água, comida e luz; só com a esperança de começar de novo. E é essa esperança constante que tanto me comove. A esperança no próximo; acreditar que, mesmo com pouco, seu vizinho vai te ajudar e juntos vocês vão reconstruir a vida.
Não desejo que ninguém perca isso um dia, pois é essa nossa crença que move a vida.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
When love takes over
Quando o amor acaba dói, aperta, queima e sangra. Dá vontade de mandar meio mundo ir à merda porque ninguém parece entender o que você sente. As lágrimas as vezes caem, mas tem horas que seus olhos parecem secos porque não há mais o que chorar.
Quando o amor acaba perde-se o rumo, as músicas não fazem mais sentido e o chocolate torna-se melhor amigo. Você tem vontade de correr e não parar até o vento forte que bate no seu corpo despedaçar seu coração, assim como ele faz com os grãos de areia.
Quando o amor acaba as esperanças se vão e você tem que recomeçar de alguma forma, mesmo não estando preparada, mesmo se sentindo incapacitada. A renovação deve começar de algum lugar dentro de você.sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Oh oh I need an ending
A água da chuva escorre pelas ruas e desce pelos bueiros. Minhas esperanças tomaram esse mesmo rumo - o negro bueiro. Semanas se passaram e eu cheguei a conclusão de que você é mesmo um covarde. Não que eu não te ame assim, mas todo o fato de você estar sempre fugindo, escapando sutilmente pela multidão, me destrói um pouco a cada dia. Sinto sua falta e não sei mais pelo que esperar. Se eu ao menos soubesse o que você tem feito, porque não me ligou, porque disse coisas que não iriam se cumprir...
Acho que preciso de um final, mas um final explícito. Estou cansada desse pseudo-fim, sem explicações, discussões, lágrimas e pedidos de 'volta, meu bem, porque amor maior que o nosso, não há'. É, é exatamente disso que eu preciso. Você chegando e me falando que nada é como antes, nós dois falando exatamente a mesma coisa, como se chegamos a uma conclusão do que é ideal para nós e no final... Ah, o final... Concordamos que é melhor tentar de novo.
Tentamos tantas vezes, que não me importaria de tentar de novo. Mas se for pra acabar, que acabe com razões e não com fugas, porque se você acha que irá diminuir a dor se sumir sem me esclarecer nada, se acha que eu acredito em "O que os olhos não veem, o coração não sente", está enganado. Posso não ver, não ouvir nada vindo de você, mas meu coração sente. Sente e se aperta em meu peito nesse momento.
Li uma vez que o tempo não cura nada, ele apenas tira o incurável do foco principal, aí você pensa que esqueceu, mas aquilo segue escondido em algum lugar ínfimo de seu coração. Talvez toda aquela história de que só o que cura um amor é um novo amor seja verdade. Não sei e não tenho como saber. Enquanto eu estiver esperando, não seguirei em frente. Ficarei aqui, parada, olhando os caminhos que posso seguir, pensando, mas sem chegar a nenhuma conclusão, porque me faltam explanações.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
It's time to be a big girl now
Estou cansada, estressada e com medo. Não tinha percebido que o ano virou e 2010, mais do que nunca, será um ano de decisões. Terceiro ano está aí, vestibular, então, praticamente me engolindo. Estava segura do que queria e segura da minha capacidade até que tive um encontro com um bichinho chamado Dúvida. Dúvida do que fazer daqui pra frente. Insegurança por ter que escolher uma profissão pelo resto da vida. Medo de errar, de desclassificar quem estava certo do que queria e de não me encontrar.Não quero crescer e deixar meus sonhos de lado, não quero perder essa capacidade de sonhar, mas o mundo adulto tem invadido meu mundo infantil e destroçando tantos dos meus sonhos. Me sinto desprotegida e com medo de sonhar. Medo de voar, voar, voar e de repente... cair! Viajar, voar, sentir o vento do irreal em meu rosto nunca foi problema, mas estou tão assim comigo mesma que uma queda será capaz de me enfraquecer.
Talvez seja hora de ser uma garota grande e garotas grandes não sonham
domingo, 17 de janeiro de 2010
I see you.
Se eu pudesse, me transportaria para aquele lugar para sempre. Odeio ter que depender dos meus sonhos para estar lá.
Lá onde águas-vivas voadoras são espíritos puros, os mosquitos lembram reluzentes vaga-lumes e uma espécie de inseto se assemelha aos malabares de um artista circense.
No reino dos meus sonhos, cachoeiras flutuam e suas águas formam nuvens e as árvores iluminam, de forma esplêndida, o breu da noite. Pássaros gigantes e cavalos distorcidos são nossos meios de transporte nessa imensidão verde.
Sorrio para ele e ele retribui. Estamos prontos para a batalha


