domingo, 11 de abril de 2010

Tempestades em alto mar

   Cai uma chuva que imagino ser capaz de derrubar morros, arrastar casas e fazer correnteza, mas não dá pra saber. Estou no mar. Pelo menos é assim que me considero. Eu e vocês; fazendo parte desse navio que antes nos levava para a eternidade e hoje, para lugar nenhum.
   Sinto-me como o capitão, aquele que sabe que tem uma missão e está entusiasmado com a mesma. Seria capaz de vender os olhos e os ossos para conseguir que tudo tenha o fim esperado e que o navio aporte no lugar certo, no tempo exato.
   Enquanto sinto vocês como os trabalhadores do navio. Cansados dessa vida em alto-mar. Sempre a mesma água transparente. Sempre céu cinza ou azul. As mesmas caras; todos os dias, o mesmo sol. Que monotonia! Vocês estão enjoados e refletem, no olhar, o quanto pensam que é melhor esse navio afundar logo. Tudo acabaria  de uma vez. Vocês não se importariam.
   A verdade é que barco não navega só com o capitão. Se os marujos não ajudam, "Olá, fundo do mar. Chegamos, enfim". Se vocês não ajudam, bom, não vamos chegar nem ao porto seguinte. Todos esperarão pela volta que nunca ocorrerá, porque até mesmo a ida ficará pela metade.
   Só queria dizer que estou exausta de pilotar sozinha. Levanto a bandeira banca, peço paz, mas me rendo também. Estou fora e pulo na água se for necessário. Iremos afundar e lá embaixo, ficar para sempre ou até que subamos para a superfície em busca de ar. Cada um por si. Boa sorte para vocês, pois sei que vou precisar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Look at the stars, look how they shine for you and everything you do

_ O que houve, querida? - perguntou preocupado. Ela estava com um bico imenso para uma menina de 16 anos
_ Levaram minha estrela
_ Para onde?
_ Não sei. Acho que pro céu - estava desolada
_ Quem levou? - as coisas não faziam sentindo pra ele ainda
_ Não sei, querido. Eu estava deitada na grama, olhando a lua, até que cai no sono. Quando acordei, ela não estava mais ali.
_ Temos que procurá-la. Ela pode estar embaixo da árvore, atrás da moita...
_ Não! Ela está no céu. Sinto isso
_ Então, será que não é bom ela estar lá? Ela pode brilhar acompanhada das outras e da lua.
_ Mas e eu? Fico sem o brilho dela? Sem poder observá-la e fazer meus pedidos antes de dormir? Fico sem nada para me consolar quando chorar no travesseiro?
_ Nada está te impedindo de continuar fazendo isso. Ela continua te olhando e brilhando, brilhando, brilhando, brilhando...



domingo, 21 de março de 2010

Sobre medos, parquinhos e olhares

Sempre fui medrosa. Nunca pulava a cerca do parquinho ou ficava de cabeça pra baixo nos brinquedos. Balançava-me sem me arriscar muito, sem ir muito alto. Subia nas árvores porque não resistia, mas sempre achava que ia escorregar e bater a cabeça, ou que um pássaro ia passar voando, morrendo de raiva porque eu estava próxima demais do ninho aonde guardava seus ovos. 
Cresci e vi meus amigos escorregando pelo toboágua. Sorriso estampado de orelha a orelha. Subia todas aquelas escadas com todas as borboletas dentro do estômago e quando chegava lá em cima, via a Terra toda ali, aos meus pés, virava para a amiga que seria a próxima a se aventurar e dizia baixinho, com medo de dizerem uma verdade sobre meus temores: Acho que vou desistir. Mas não tinha jeito, escorregava, mais recuando do que descendo, atrasando o tempo, arranhando os medos para que eles sumissem.
Nunca fui inconsequente. A frase 'Então, se joga' quase nunca fez real sentido pra mim, afinal, raramente me jogava sem ter a certeza de que isso não desencadearia em uma cabeça aberta, um braço quebrado ou um coração partido. Sempre pensei antes de falar, antes de agir, antes mesmo de pensar - sempre controlei meus pensamentos.
Mas hoje, considero-me a pior das covardes, pois fujo com o olhar. Falo enquanto olho para as nuvens e observo a lua. Vejo, espero e, na hora, miro o tênis - Nossa! Meu cadarço está desamarrado de novo!. É uma das poucas horas que ajo sem pensar, pois faço por impulso. Ignoro olhares que muito tem a me dizer, porque não quero ouvir, não quero saber. Tenho medo de tentar e consiguir entender. Quando percebo, lá estou eu, alheia, sendo mais covarde do que quando sentia medo de ficar de cabeça pra baixo por aí.

sábado, 13 de março de 2010

Super diário,
Sou eu de novo: o Super-homem. Posso fazer-lhe uma pergunta? QUEM FOI O IMBECIL QUE ME DEIXOU SER HERÓI? QUEM FOI? ACUSE-SE AGORA QUE SOU CAPAZ DE MATÁ-LO!
Estou cansado dessa vida. Cansado de voar, dessa capa idiota que vive prendendo nos pregos e dessa sunguinha que aperta meus testículos.
Queria ter tempo pra namorar,  sair com a galera pra tomar um chopp depois do trabalho e correr na praia de manhã cedo. Sinto falta de controlar minha vida - não que isso seja uma mania que faça de mim um neurótico com TOC -, mas as vezes queria não depender tanto do mundo e sim, só de mim.
Deveria ser um advogado fortão que para o trânsito da cidade e não um fortão que para os carros com a mão pra pegar o ladrão que foge da polícia. Ou um médico famoso pela inteligência e não pela força. Estou gay. É, entrando em uma crise existencial feminina.
A verdade é que preciso de férias, de um calmante e umas 85 noites de sono. Ou uma mulher, dois filhos, um lençol quentinho e muito amor.
Enquanto isso não acontece, voo à procura de ladrãoes, velhinhas indefesas e incêndios.

segunda-feira, 8 de março de 2010

À sua espera

Se ainda acredita em filmes, posso afirmar que há um esperando por você bem aqui, do outro lado dessa imensidão azul. Um filme que você deixou pela metade, pausado no DVD, e a capinha largada no sofá porque tinha que se divertir por uma noite.
Bem, a diversão acabou e a película espera por você. Garanto que te assustarás com os monstros da insegurança e da dúvida. Torcerás diante de batalhas disputadas por dois grande cavalheiros: razão e emoção. Esperarás ansioso pelo suspiro de liberdade que consagrará o campeão e o de desistência do perdedor. Verás beijo ardente e enlouquente. E, por fim, me verás nos créditos, pois escrevo nossa história através de falas e cenas.
Texto pequeno, simples e sem sal. Ando sem tempo pra pensar no que postar. As ideias surgem, mas eu as abandono com facilidade. Estou tentando não ser tão ausente, por isso, peço perdão. Obrigada aos que leem - implicita ou explicitamente. Com carinho, Luiza.

P.S.: Eu que fiz o desenho. Ficou fofo, vai
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it