Sinto-me como o capitão, aquele que sabe que tem uma missão e está entusiasmado com a mesma. Seria capaz de vender os olhos e os ossos para conseguir que tudo tenha o fim esperado e que o navio aporte no lugar certo, no tempo exato.
Enquanto sinto vocês como os trabalhadores do navio. Cansados dessa vida em alto-mar. Sempre a mesma água transparente. Sempre céu cinza ou azul. As mesmas caras; todos os dias, o mesmo sol. Que monotonia! Vocês estão enjoados e refletem, no olhar, o quanto pensam que é melhor esse navio afundar logo. Tudo acabaria de uma vez. Vocês não se importariam.
A verdade é que barco não navega só com o capitão. Se os marujos não ajudam, "Olá, fundo do mar. Chegamos, enfim". Se vocês não ajudam, bom, não vamos chegar nem ao porto seguinte. Todos esperarão pela volta que nunca ocorrerá, porque até mesmo a ida ficará pela metade.
Só queria dizer que estou exausta de pilotar sozinha. Levanto a bandeira banca, peço paz, mas me rendo também. Estou fora e pulo na água se for necessário. Iremos afundar e lá embaixo, ficar para sempre ou até que subamos para a superfície em busca de ar. Cada um por si. Boa sorte para vocês, pois sei que vou precisar.



