quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em um final de semana de vestibular

Resolveu chover. Resolveu molhar tudo...
As folhas das flores de março que estão na minha janela
E as folhas das provas amarelas que foram jogadas no chão
O portão fechou. Fechou bem no teu nariz
E só te restou chorar. Deixar a água cair, feito chuva
Eu, dentro da sala, concentrava-me em questões banais
Que nem de longe chegavam perto daquelas que tiraram - e ainda tiram -
O meu sono de estudante insegura
Por diversas vezes eu me perdi em meio a tantas palavras e definições
Aí tinha a chuva pra me trazer de volta à Terra.
Trouxe à tona as contradições de um país
Onde as crianças sorriem pela primeira bola
(País do futebol e dos maiores craques)
E os idosos choram pela primeira aposentadoria
(Filas intermináveis para receber uma quantia que mais lhe diz:
"Bem-vindo à terceira idade e ao esquecimento governamental")
E foi então que eu reparei que escrevia sobre dignidade
Para dias depois descobrir que os aplicadores
Esqueceram-se o que ela significava.
Fiquei sem nota, feito idiota, sem meus pontos
Fiquei na chuva esperando chover mais

14 comentários:

Dani disse...

Adorei o texto! Muito bom mesmo... acredito que foi assim que a maioria dos estudantes que fizeram a prova se sentiu: "Fiquei sem nota, feito idiota, sem meus pontos". Esse episódio do ENEN mostrs bem o descaso do governo com a Educação... vamos torcer pra que tudo se resolva de maneira justa!:*

Luciana Brito disse...

Muito bom esse texto. A cada dia a palhaçada governamental do nosso país aumenta... isso é lamentável. Eles tratam as pessoas como idiotas.

Stéffani Priscila Rocco disse...

Muito bom, me fez refletir de cada passo que agente dá, inclusive quando vai fazer o vestibular, mostra como a vida atual está em modo de metaforas.

Beijos!

Bruno Fernando disse...

Parece um protesto. Contra tudo e todos num dia que o que fora trabalhado em um ano pra dar certo acabou falhando (mais uma vez). Bom seria uma chuva dessas, bem gelada, na cabeça dos mais esquentados, não pra esfriar-lhes, mas para acalmarem e saberem que neste (nosso) país, Brasil, as coisas funcionam assim. O mais puro reflexo do povo. Isso mostra sim desrespeito com estudantes, mas pra termos significativas mudanças em nossos líderes amanhã, é preciso mudanças no comportamento hoje, a começar "por baixo".

Ariana disse...

Texto muito bom, um belo protesto, me vi nas suas palavras algumas vezes.
ENEM virou palhaçada!

Beijos

Apenas Tici... disse...

Acho que nem preciso dizer que sou leitora assídua do seu Blog né.

Por gostar tanto "daqui" estou deixando um selinho pra vc no meu Blog. Depois passa lá pra pegar.

Parabéns por saber usar tão bem as palavras.

Beijinhos da sua fã de carteirinha :P

http://apenasumpouquinhodemim.blogspot.com/

Daniela Filipini disse...

Tantas verdades em tão poucas linhas me deixaram sem palavras. As suas disseram tudo.

fatoSempalavras disse...

eu,como um futuro Assistente Social, acredito no futuro do país...que possa realmente melhorar,mas, vai demorar muito,ah,vai :s

sorte à todos.

te adoro.saudades.

Gabriela Marques disse...

Sei exatamente o que está tentando dizer, fiquei um pouco decepcionada com essas provas que serão canceladas, por sorte não fiz prova amarela.. o que temos que fazer agora é esperar o fim dessa novela..
Gostei demais do que escreveu.
Beijos! :*

Albertt disse...

espero que tenha feito boa prova!
abraaço

Bell Souza disse...

O ENEM foi um desrespeito total. mas o seu poema foi bem fiel ao sentimento de cada estudante!

Nicole f disse...

que bonito.
o primeiro poema que leio sobre o tema e posso dizer? não poderia ser melhor.
acho que exemplificou bem o que todo mundo que fez vestibular tá sentindo.

parabéns :*

Cintia Tavares disse...

Aah que lindo! Primeira vez que vejo um poema com essa abordagem! Ficou muuito perfeito... Senti de novo a emoção e a tragédia que foi meu pimeiro vestibular...
Tô seguindo Floor, beijos. :)

gabriela marques. disse...

Se falavas do ENEM... também não consegui fazer a dissertação. Sei lá, não rolou.
Mas um escritor é assim, muito deles não conseguem agradar os avaliadores (pelo menos eu não tenho esta certa sorte). Escrevemos o que queremos. Eu mesma quase nunca respeito pautas. Muito raro mesmo.
Um escritor viaja. Sem volta.

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