quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quarta-feira cinza

Quarta-feira de cinzas
Não há luz nem brilho do lado de fora da janela
O céu está escuro; cinza
Dei adeus àquela aquarela
Acabou o Carnaval e toda a folia
Respiro aqueles velhos sonhos
Volto para minha astronomia
Espero a chuva de todos os anos cair
Percebo que começo a ficar presa
Quando o que eu mais quero é sair
Vejo-te caminhando pro lado oposto
Tudo parece sem gosto
Sinto-me triste como naquelas tardes de Agosto
O tempo roda, passa e não para
O ano só começa depois do Carnaval
Sigo em frente, tento voltar ao normal
Sem pensar no final

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pierrot e Colombina

    Aqueles dois coração vazios que pulsavam na avenida batiam no ritmo dos tamborins. Duas decepções e duas pessoas procurando afogar mágoas e esquecer passados. O Bloco do Eu Sozinho tinha que passar por completo em algum momento e eles esperavam ansiosos pelo dia em que não se sentiram mais tão sós.
   Ela  conversava com os amigos, sambava e sentia cada nota se desprender do instrumento e grudar em seus braços, suas pernas, sua face... Às vezes esticava o pescoço e seus olhos procuram por rostos conhecidos ou pelos olhos que a atormentava nos sonhos. Tinha virado uma mania: dançava e esticava o pescoço. A busca era cansativa, mas sabia que seria recompensada por aqueles olhos.
   Ele segurava a cerveja e já não disfarçava a procura. Estava sozinho e procurava pelos lábios que lhe perseguia até em pensamentos. Seus olhos buscavam pelos lábios ardentes que ele conhecia de outros Carnavais. Onde estaria ela?
   Ela de um lado da rua e ele do outro. Corpos tão próximos e corações tão afastados. Tempo quente e eles mantinham-se frios. A banda passava pelo meio da rua. Ela virou-se para olhar, ouvir aquela música que tomava conta de cada músculo seu. E por questões de segundos, seus olhares não se encontraram. Ficaram sem se notar. Ela voltou para seu mundo assim que ele saiu do dele. Seus relógios não estavam batendo o mesmo horário e o tempo não coincidiu. Ele desistiu de procurar e foi embora sem nem ao menos ver que seus lábios chamavam por ele em silêncio. Ela não percebeu que aqueles olhos foram observar os paralelepípedos e as nuvens e a deixaram ali. 
   "Vemos-nos no outro Carnaval, meu amor. Quando seus lábios, abertos, chamaram meu nome de forma que o mundo ouça. Então, não será mais Carnaval, pois criarei a minha própria festa interior, com coração seguindo a batida do bumbo e meus olhos seguindo seus passos"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Confrontado pelos sonhos

Às vezes (o céu) fica cinza quando a chuva cai
Sempre em volta de você
Mas será que não é tempo de saber o que se quer
E como seria bom se alguém dissesse
Que não adianta contar estrelas por aí?
(Love song sem título - Aborto Elético)

Precisava de um sinal de fogo, porque ter aquela vida, passeando pelas labaredas do fogo estrelar não o levaria a lugar nenhum. Os castelos de areias estavam se desmoronando, por causa da maré alta que chegava para arrastar tudo. A maré chegava a oferecer ajuda: "Seria capaz de apagar todas as escritas na areia se você estivesse disposto a apagá-las de seu coração". Mas ele não estava. Era capaz de esquecer aquela fórmula de Física, o aniversário da amiga ou onde colocou o controle remoto, pois eram coisas da cabeça, porém sentimentos, sonhos e idealizações são coisas do coração. Sempre lhe disseram que tinha a mente fraca, e sempre compensou com um forte coração.
Um forte coração que agora se encontrava despedaçado e espalhado por todas as avenidas do bairro. Já tentara catar seus pedaços, mas só foi capaz de catar estrelas para ter em que acreditar. Os pedaços das estrelas brilhavam, chamando-o; já seu coração perdeu o brilho ao entrar em contato com o asfalto quente, afinal não tinha mais vontade de se esconder em seu peito - sabia que congelaria ali.
O cinza escuro do céu não o aterrorizava mais. Pra falar a verdade, pouco se importava. Quase nunca notava a passagem do tempo. Criou uma bolha de proteção para viver e nela não existia relógio e ampulhetas.
Precisava tomar decisões, mas não queria. Não queria sequer pensar e exigir de seu cérebro, por vezes tão cruel, capaz de confundi-lo e confrontá-lo: "É isso que queres: seguir a podre emoção? Sou a razão, dona de verdades inimagináveis"
Tinha que se decidir em algum momento, mas enquanto era tomado pela indecisão, apenas colhia as estrelas que brilhavam aos seus pés.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Não vou te dizer que não fui eu quem chorou na hora do adeus, pois não minto quanto aos meus sentimentos. Toda vez é sempre o mesmo roteiro de um filme sem um final que faça sentido. Cansa ser sempre quem tem esperança, mas não vou te dizer que não sou eu quem acredita na chance de tentar de novo. Não vou te dizer que não fui eu quem pediu para você voltar, pois não minto quanto a nada que diz respeito a nós dois.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Posso ouvir o vento passar, assistir a onda bater
Mas o estrago que faz, a vida é curta pra ver
Eu pensei que quando eu morrer
Vou acordar para o tempo e para o tempo parar
Um século, um mês; três vidas e mais
Um passo pra trás? Por que será?
Vou pensar
Como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer
Isso eu vi, o vento leva!
Não sei, mas sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar é vontade de esquecer
E isso por quê? (Diz mais) 
Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem
Então o que resta é chorar
E talvez, se tem que durar
Vem renascido o amor, bento de lágrimas.
Um século, três
Se as vidas atrás são parte de nós
E como será?
O vento vai dizer lento que virá
E se chover demais, a gente vai saber
Claro de um trovão,
Se alguém depois sorrir em paz  (Só de encontrar...)
O Vento - Los Hermanos

Queria poder ter a certeza de que o vento vai levar tudo. Levar o que sinto, o que sentes, o que guardamos dentro de nós. Mas queria, principalmente, que ele levasse esse ponto final definitivo que você impôs.
Foto tirada pela pseudo-escritora que vos fala.
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it