domingo, 22 de abril de 2012

Conversa sobre verdades

_ Amor? Você ainda acredita nisso? Só vou te dizer uma coisa: NÃO EXISTE AMOR! Isso tudo é uma invenção idiota da sociedade pra te transformar em uma pessoa apática e mórbida. É exatamente isso: se esse tal de amor existe mesmo, ele só traz morbidez e leseira na sua vida. - saiu, batendo o pé e a porta; me deixando só, em pé, no meio da sala.
 ... ... ... ...
O telefone toca incessantemente. É você. Resolvo não atender. Permito-me viver de meus sonhos por algumas horas a mais. Afasto-te de mim por esse tempo.
Minutos depois toca a campainha, me lembrando de que somos amigos o suficiente para que possas ler minha mente e saber quando fujo de ti. Sei que nada posso fazer. Levanto-me para te atender.
_ Me desculpa. - pediu, olhando nos meus olhos. _ Sou um tolo. Tolo, não, sou um completo babaca por te dizer coisas como as de ontem. Sinto que as vezes te faço desacreditar no que há de mais belo no mundo, mas não o faça. Ignore qualquer revolta minha de jovem iludido por um amor que nem o tempo foi capaz de curar. Perdoe-me por ter uma pedra de gelo no lado esquerdo de meu peito. Mas nunca, nunca perca esse seu jeito de menina sonhadora que acredita em pensamento positivo, amor e bondade. Acredite. Sempre. Sonhos só se realizam para aqueles que o creem. Não se feche, não se enclausure. Existe um mundo magnífico esperando por você lá fora. Um mundo tão completo e complexo que nenhuma bolha pode parecer mais interessante. Sei que ele pode ser cruel, mas eu estarei aqui. Estarei ao seu lado todos os dias, sendo píer para sua alma de barco viajante. Bambo, pois balanço de acordo com as ondas, mas sempre firme, à espera da sua necessidade.



"Hoje eu acordei com uma vontade enorme
De olhar no fundo dos seus olhos
E te pedir perdão
Por tudo que eu falei sobre o amor,
Sobre nós dois ou sobre o mundo
Às vezes eu perco a razão"

(Cara de Sorte - Detonautas)

 ... ... ... ...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A beleza de ser quem tu é

   Ainda me resta sutileza no andar, timidez no olhar e sinceridade no falar. E, ainda que as estações tenham mudado, o ano tenha virado e as folhas do calendário tenham sido arrancadas, a essência pessoal permaneceu. Assim será...
   Posso fazer primaveras, percorrer verões e soterrar-me por longos invernos, haverá flores em meus olhos, diamantes em sorrisos e um bilhão de significados em cada palavra.
   Mesmo que aches que o coração andou congelado por um ano, a mente continuou trabalhando, observando, analisando...
   Então, que passe o tempo necessário. Eu realmente precisava de um tempo para colocar os pensamentos no lugar e encarar a poeira que, por diversas vezes, joguei para debaixo do tapete. Buscava por novos sonhos para por dentro da mochila.
   Assim foi: dei tempo ao tempo e a mim mesma. Me encontrei e me perdi, e hoje estou aqui, de volta, em corpo, alma e essência.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Palmas, pra quê te quero?

Elas começam lentas, tímidas, como se pedissem licença para tomar conta do silêncio que se fez
Clap, clap, clap
Mas então transformam-se no ar e preenchem os hiatos presentes
CLAP CLAP CLAP
Agora elas berram e contagiam.
Como pipoca na panela que estoura, anunciando que vem mais por aí
Ploc ploc ploc
E a panela vai ficando cheia, estufada e sem espaço para mais nada
Porém, sempre resta um milho por explodir
PLOC PLOC PLOC
CLAP
CLAP
CLAP
Clap
Clap
Clap
...
E aos poucos elas se encerram, porque tudo já está completo
Lota-se a panela de pipocas -  flores brancas que se desfazem na boca
Lota-se a sala de sorrisos
Explodiram-se as bolhas de sabão
Foram-se as palmas

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palavras de um futuro bom

Milhares de pessoas inocentes em risco. A vida já não é apenas efêmera, tornou-se banal. Caminhamos para a resolução de um problema de décadas ou para a Cova 11405 do São João Batista¹? As pessoas culpam o sistema, mas se esquecem que elas fazem parte do mesmo. E ele pode mudar quantas vezes quiser - podemos viver na Era do Capitalismo, implantar o Socialismo ou correr desnudos comemorando o Anarquismo -, mas o homem sempre será capaz de torná-lo falho. "Antes de mudar o mundo, a gente tem que mudar a gente mesmo", já dizia Renato Russo.
Tenho medo da escuridão à que tudo isso pode nos levar. O sol sofrer uma fissão nuclear, implodir e tudo ficar negro feito céu sem estrela para trazer esperança. Também temo não dar tempo de falar o que eu dormi sem dizer, pois preferi deixar para o dia seguinte e de protestar por aquilo que não acho certo e que está no lugar indevido.
Tenho medo de não falar de amor para quem eu amo ou presentear quem merece. Não debater sobre a paz, a fome e a coloração do meu cabelo. Temo não dar tempo de plantar uma árvore, terminar aquele livro e ter pelo menos um de meus onze filhos. Com toda essa despreocupação com a vida e com a segurança, tenho medo que eu ou um de meus amigos sejamos vítimas de bala perdida - assim como temo por aqueles que já se foram.
E em meio a tanto terror, temo que não dê tempo de depejar palavras de um bom. Palavras as quais creio que possam mudar vidas. Vidas que se vão sem nem ao mesmo eu ter tido a oportunidade de tomá-las para mim e gurdá-las na caixinha do escritório. Meu maior medo é seja tempo perdido...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em um final de semana de vestibular

Resolveu chover. Resolveu molhar tudo...
As folhas das flores de março que estão na minha janela
E as folhas das provas amarelas que foram jogadas no chão
O portão fechou. Fechou bem no teu nariz
E só te restou chorar. Deixar a água cair, feito chuva
Eu, dentro da sala, concentrava-me em questões banais
Que nem de longe chegavam perto daquelas que tiraram - e ainda tiram -
O meu sono de estudante insegura
Por diversas vezes eu me perdi em meio a tantas palavras e definições
Aí tinha a chuva pra me trazer de volta à Terra.
Trouxe à tona as contradições de um país
Onde as crianças sorriem pela primeira bola
(País do futebol e dos maiores craques)
E os idosos choram pela primeira aposentadoria
(Filas intermináveis para receber uma quantia que mais lhe diz:
"Bem-vindo à terceira idade e ao esquecimento governamental")
E foi então que eu reparei que escrevia sobre dignidade
Para dias depois descobrir que os aplicadores
Esqueceram-se o que ela significava.
Fiquei sem nota, feito idiota, sem meus pontos
Fiquei na chuva esperando chover mais
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it