Certo dia, abri o armário e vi todas aquelas bonecas jogadas no canto, esquecidas, porque os meninos começaram a soar mais interessantes do que uma loira plastificada. E reparei que a árvore no quintal parecia não suportar mais o meu peso, nem meu tamanho.
Corria dos meus amigos quando brincávamos de pique e hoje, corro do tempo que quer se aproximar e me dizer que existem milhares de responsabilidades e um mundo de gente grande esperando que eu cresça.

O sol está se pondo, a pipa ainda está empinada no céu, voando livre, guiada pelas mãos de uma criança qualquer, e eu consigo lembrar de que há alguns anos era eu quem a controlava. Meu maior erro foi ter deixado a pipa cair.
Então me ensinaram que teríamos que crescer e que o tempo voava e não notávamos; eu pensava que isso era coisa de gente velha saudosista. Me peguei hoje, andando pela cozinha, e pensando o mesmo. E meu maior erro foi não ter fotografado cada momento da minha vida.
As fotos que ainda estão no armário me mostraram o quanto eu cresci, mas me alertaram que não mudei tanto assim, pois sei que quando vejo meu primo derrubando garrafas com uma pedrinha, volto a ser criança, fazendo disso o jogo mais divertido do mundo. E ainda que meu maior erro tenha sido crescer, sei que posso manter um pé na infância para o resto da vida.
Feliz 17 aninhos para mim!