Resolveu chover. Resolveu molhar tudo...
As folhas das flores de março que estão na minha janela
E as folhas das provas amarelas que foram jogadas no chão
O portão fechou. Fechou bem no teu nariz
E só te restou chorar. Deixar a água cair, feito chuva
Eu, dentro da sala, concentrava-me em questões banais
Que nem de longe chegavam perto daquelas que tiraram - e ainda tiram -
O meu sono de estudante insegura
Por diversas vezes eu me perdi em meio a tantas palavras e definições
Aí tinha a chuva pra me trazer de volta à Terra.
Trouxe à tona as contradições de um país
Onde as crianças sorriem pela primeira bola
(País do futebol e dos maiores craques)
E os idosos choram pela primeira aposentadoria
(Filas intermináveis para receber uma quantia que mais lhe diz:
"Bem-vindo à terceira idade e ao esquecimento governamental")
E foi então que eu reparei que escrevia sobre dignidade
Para dias depois descobrir que os aplicadores
Esqueceram-se o que ela significava.
Fiquei sem nota, feito idiota, sem meus pontos
Fiquei na chuva esperando chover mais
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
"Sobra tanto espaço dentro do abraço "
_ Senti sua falta...
_ Eu também senti a sua. Senti falta dos nossos papos, do seu cafuné e de todas as músicas que você deixou no meu estojo.
_ Então por que você não me abraçou direito? - ela estava confusa agora
_ Porque saudade é um sentimento difícil de sumir. Nós temos pessoas e momentos especiais e nos apegamos tanto a isso que sentimos saudade. As pessoas somem e os momentos passam. Podemos nos reencontrar, mas os momentos... Eles não voltam
_ Mas as pessoas voltam... Não estou aqui de novo? Do seu lado... Quando iriamos imaginar. Achei que já estava tudo mais do que abandonado. Você foi viver sua vida de um jeito totalmente diferente do meu - justificou-se ela
_ Sim. Estamos aqui. Mas e aí? O que vai acontecer depois disso? Eu vou te deixar em casa, achar que ficou tudo bem, mas nada vai ser como antes. Você vai me chamar pra sair, eu vou ter outros planos. Eu vou te chamar pra fazer qualquer coisa, você vai ter que estudar. E assim vamos nos perder, mais uma vez - explicou ele
_ Mas e se não nos perdermos? Se traçassemos o mesmo caminho e seguissemos a risca os ladrilhos?
_ De certo bateria um vento, cairia uma pedra, aconteceria um imprevisto. Então, um de nós mudaria de rumo.
_ O que isso quer dizer? - questionou já com lágrimas nos olhos. Não esperava esse tipo de conversa
_ Quer dizer que você ainda vai ser a menina mais doce que eu já conheci. A que mais me entendeu e a melhor amiga que eu vou desejar ter pra sempre. Mas eu não vou culpar a vida, Deus ou o destino - chame como quiser - pelo que aconteceu com a gente
_ E o que você vai fazer?
_ Vou guardar os momentos bons que passamos juntos
_ Entendi... - abaixou a cabeça
_ Desculpe. Não queria te magoar - sentiu-se culpado ao vê-la daquela forma
_ Tudo bem - passou a mão nos olhos, secando as lágrimas. _ Só quero ter momentos de reecontro pra lembrar também. E quero abraços apertados
_ Nada de espaços
_ Deixa os espaços pros momentos que não passamos juntos... - concluiu ela
_ Eu também senti a sua. Senti falta dos nossos papos, do seu cafuné e de todas as músicas que você deixou no meu estojo.
_ Então por que você não me abraçou direito? - ela estava confusa agora
_ Porque saudade é um sentimento difícil de sumir. Nós temos pessoas e momentos especiais e nos apegamos tanto a isso que sentimos saudade. As pessoas somem e os momentos passam. Podemos nos reencontrar, mas os momentos... Eles não voltam
_ Mas as pessoas voltam... Não estou aqui de novo? Do seu lado... Quando iriamos imaginar. Achei que já estava tudo mais do que abandonado. Você foi viver sua vida de um jeito totalmente diferente do meu - justificou-se ela
_ Sim. Estamos aqui. Mas e aí? O que vai acontecer depois disso? Eu vou te deixar em casa, achar que ficou tudo bem, mas nada vai ser como antes. Você vai me chamar pra sair, eu vou ter outros planos. Eu vou te chamar pra fazer qualquer coisa, você vai ter que estudar. E assim vamos nos perder, mais uma vez - explicou ele
_ Mas e se não nos perdermos? Se traçassemos o mesmo caminho e seguissemos a risca os ladrilhos?
_ De certo bateria um vento, cairia uma pedra, aconteceria um imprevisto. Então, um de nós mudaria de rumo._ O que isso quer dizer? - questionou já com lágrimas nos olhos. Não esperava esse tipo de conversa
_ Quer dizer que você ainda vai ser a menina mais doce que eu já conheci. A que mais me entendeu e a melhor amiga que eu vou desejar ter pra sempre. Mas eu não vou culpar a vida, Deus ou o destino - chame como quiser - pelo que aconteceu com a gente
_ E o que você vai fazer?
_ Vou guardar os momentos bons que passamos juntos
_ Entendi... - abaixou a cabeça
_ Desculpe. Não queria te magoar - sentiu-se culpado ao vê-la daquela forma
_ Tudo bem - passou a mão nos olhos, secando as lágrimas. _ Só quero ter momentos de reecontro pra lembrar também. E quero abraços apertados
_ Nada de espaços
_ Deixa os espaços pros momentos que não passamos juntos... - concluiu ela
domingo, 31 de outubro de 2010
Verões
"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível"
Chuvas torrencias, cheiro de terra molhada e as lembranças passando pela janela do ônibus...O inverno congelava os dedos que estavam fora do casaco
E roseava bochechas expostas à gélida brisa que vinha do Sul,
Eu que resolvi ignorar, fazer dele intenso verão
Calor escaldante desse Rio 40º e transformar todos os meus dias
Em dias de praia esperando o sol se pôr para ir embora
Fazer do meu inverno verão que retorce as árvores com vento quente que anuncia temporal
Verão inesquecível
Invencível
E talvez,
Inexistente...
domingo, 10 de outubro de 2010
Verdades de meu mundo
Às vezes escondemos palavras em gavetas e melodias em pastas como se o passado fosse passivo de ordem e aceitasse ficar guardado ali pra sempre. Mas o espaço é pequeno e escuro. Cabe pouco de toda uma história que ainda não foi.
Eu já tentei esconder o coração numa folha de papel e lágrimas no travesseiro. Já tentei fingir que vivo do mais puro presente quando, na verdade, transito por todos os lugares e tempos verbais. E confesso: já tentei me enganar por diversas vezes. Mas esqueci que mentir para o mundo e usar qualquer máscara - seja por proteção ou falsidade - é mais fácil do que esconder as verdades de si mesmo. "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", já dizia Renato Russo.
Por muitas vezes achei que o carinho deveria ser explícito para ser verdadeiro e que se não praticado frequentemente o amor acabava. Me enganei quando aprendi o que era saudade: amor por aquilo que já não é mais seu. Por diversas vezes alguns dos meus deixaram de ser e me restou saudade.
Já não sei o que fazer, pois temo que se lhes enviar cartas e letras, eles as coloquem em gavetas e pastas e se esqueçam - ou mesmo não enxerguem - o significado de tudo isso. Amor. Mais puro, belo e simplório amor.
Eu já tentei esconder o coração numa folha de papel e lágrimas no travesseiro. Já tentei fingir que vivo do mais puro presente quando, na verdade, transito por todos os lugares e tempos verbais. E confesso: já tentei me enganar por diversas vezes. Mas esqueci que mentir para o mundo e usar qualquer máscara - seja por proteção ou falsidade - é mais fácil do que esconder as verdades de si mesmo. "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", já dizia Renato Russo.
Por muitas vezes achei que o carinho deveria ser explícito para ser verdadeiro e que se não praticado frequentemente o amor acabava. Me enganei quando aprendi o que era saudade: amor por aquilo que já não é mais seu. Por diversas vezes alguns dos meus deixaram de ser e me restou saudade.
Já não sei o que fazer, pois temo que se lhes enviar cartas e letras, eles as coloquem em gavetas e pastas e se esqueçam - ou mesmo não enxerguem - o significado de tudo isso. Amor. Mais puro, belo e simplório amor.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Janela, madrugada, luz tardia
_ Água-marinha põe estrelas no mar / Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos / E penínsulas e oceanos que não vão se... Que é isso que está batendo? - perguntou ela, interrompendo a música
_ Não sei. Acho que é meu coração
_ Será que o mundo vai acabar? - encontrava-se aflita
_ Decerto vai
_ ...
_ Não me olha assim. Você ainda vai ser minha bailarina e eu serei seu soldadinho de chumbo
_ Aquele errado que deu certo... - completou ela
_ Aham. E as coisas lindas são mais lindas / Quando você está / Hoje você está / Onde você está
E a chuva batia alarmante na janela, os relâmpagos iluminavam o cômodo e os raios faziam os móveis rangerem. Enquanto eles cantarolavam embaixo do edredom - no universo paralelo criado como refúgio em dias frios.



