domingo, 31 de outubro de 2010

Verões

"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível"
Chuvas torrencias, cheiro de terra molhada e as lembranças passando pela janela do ônibus...
O inverno congelava os dedos que estavam fora do casaco
E roseava bochechas expostas à gélida brisa que vinha do Sul,
Eu que resolvi ignorar, fazer dele intenso verão
Calor escaldante desse Rio 40º e transformar todos os meus dias
Em dias de praia esperando o sol se pôr para ir embora
Fazer do meu inverno verão que retorce as árvores com vento quente que anuncia temporal
Verão inesquecível
Invencível
E talvez,
Inexistente...

domingo, 10 de outubro de 2010

Verdades de meu mundo

Às vezes escondemos palavras em gavetas e melodias em pastas como se o passado fosse passivo de ordem e aceitasse ficar guardado ali pra sempre. Mas o espaço é pequeno e escuro. Cabe pouco de toda uma história que ainda não foi.
Eu já tentei esconder o coração numa folha de papel e lágrimas no travesseiro. Já tentei fingir que vivo do mais puro presente quando, na verdade, transito por todos os lugares e tempos verbais. E confesso: já tentei me enganar por diversas vezes. Mas esqueci que mentir para o mundo e usar qualquer máscara - seja por proteção ou falsidade - é mais fácil do que esconder as verdades de si mesmo. "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", já dizia Renato Russo.
Por muitas vezes achei que o carinho deveria ser explícito para ser verdadeiro e que se não praticado frequentemente o amor acabava. Me enganei quando aprendi o que era saudade: amor por aquilo que já não é mais seu. Por diversas vezes alguns dos meus deixaram de ser e me restou saudade.
Já não sei o que fazer, pois temo que se lhes enviar cartas e letras, eles as coloquem em gavetas e pastas e se esqueçam - ou mesmo não enxerguem - o significado de tudo isso. Amor. Mais puro, belo e simplório amor.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Janela, madrugada, luz tardia

_ Água-marinha põe estrelas no mar / Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos / E penínsulas e oceanos que não vão se... Que é isso que está batendo? - perguntou ela,  interrompendo a música
_ Não sei. Acho que é meu coração
_ Será que o mundo vai acabar? - encontrava-se aflita
_ Decerto vai
_ ...
_ Não me olha assim. Você ainda vai ser minha bailarina e eu serei seu soldadinho de chumbo
_ Aquele errado que deu certo... - completou ela
_ Aham. E as coisas lindas são mais lindas / Quando você está / Hoje você está / Onde você está
 E a chuva batia alarmante na janela, os relâmpagos iluminavam o cômodo e os raios faziam os móveis rangerem. Enquanto eles cantarolavam embaixo do edredom - no universo paralelo criado como refúgio em dias frios.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pálida luz

Sentirei falta de desejar-te "Boa madrugada"
Pelo simples significado que isso tem:
Não te direi mais nada
Talvez um triste "Adeus, meu bem"

E em cada novo "Boa noite" não dito
Você seguirá sendo a luz pálida
do elevador que me leva às estrelas

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lágrimas... cadê vocês?

_ Posso te confessar uma coisa?
  Ela o encarou com um olhar de obviedade. Ele já a conhecia e sabia desse olhar, então seguiu em frente ainda que ela não tivesse reproduzido uma palavra.
_ Acho que não sei chorar.
   Ela permaneceu fitando-o, levantou uma sobrancelha e nada disse.
_ Será que você pode expressar com palavras o que você está sentindo ou pensando?
_ Como não consegue chorar? Seu coração virou pedra de gelo que não derrete nem mesmo nesse asfalto quente?
  Ele sorriu. Ela sempre conseguia misturar realidade e poesia. Nada de conseguir voar ou teletransporte, se ela fosse super-heroína, não conseguia imaginar outro poder mais incrível para ela do que esse.
_ Talvez nem o asfalto quente o derreta... De que é feito seu coração?
_ Bom... - pensou por um momento. _ Se o seu coração é feito de gelo, o meu é feito de água líquida, pronta para ser bebida.
_ Por que você está sempre pronta para amar?
_ Não. Porque eu sempre choro por tudo!
   Gargalharam juntos, enquanto gaivotas voavam lá no céu, indicando que o fim da tarde chegara.
_ Como não consegues chorar?
_ Não sei... Já tentei. Mas meus olhos nunca ficam marejados e as lágrimas nunca caem. Nunca tive a sensação de chorar descontroladamente, até ficar com os olhos inchados.
_ Entendo. - olhou para o céu, seguiu com os olhos as nuvens que passavam, acompanhando o vôo das gaivotas para oeste. _ Tive uma ideia! - falou saltitante. _ Preciso me concentrar. Fica quieto!
    Então ela pensou no dia em que seu pai morreu. Sua primeira experiência com a morte. Antes disso, a morte era como estrela cadente, só ouvira falar, mas nunca presenciara. Lembrou-se do homem que o pai era, das vezes em que brincaram de avião e ele a jogava para o alto - parecia que ela poderia alcançar o sol - e de quando fizeram, juntos, um bolo de aniversário para sua mãe.
   Logo chorou. Seus olhos seguiram o ritual que o amigo tanto pedira para que acontecesse com ele: os mesmos ficaram marejados e depois as lágrimas desceram pela face. Ela passou o dedo na bochecha molhada e passou o líquido no mesmo local do rosto do outro. Ele sorriu ao toque.
_ Pronto. Agora você pode chorar também
_ O que isso significa? - ele perguntou, de forma simples, sem qualquer tipo de repressão
_ Significa que eu estou do seu lado pra tudo: para doar lágrimas ou para olhar o fim da tarde passar.
 
By Biatm ░ Créditos: We ♥ it